. RC



Fica aqui a letra
(penso eu que é isto pelo menos é isto que estou a decorar)
do primeiro single a ser extraído
(portanto é uma singloctomia)
do próximo album
(quando se diz 'extraído' tem de se dizer 'album')
com o qual, parece-me a mim, Neil Hannon se passou dos cornos e fez o que ninguém esperava
que era pegar outra vez no Neil galhofeiro de há dez anos atrás e mostrar que ele aprendeu coisas entretanto. A música chama-se Diva Lady, passou ontem em rigoroso exclusivo
(lá está quando é 'exclusivo' tem de ser 'rigoroso')
no programa de Bernard Lenoir, e eu aproveitei para a roubar de lá. Vai estar à venda no dia doze de junho em três versões
(um cd mais outro cd mais um sete polegadas)
e portanto vai-nos trazer já quatro
(4)
(!)
lados-b, de seus nomes Don't Blame the Young, Premonition of Love, Births, Deaths and Marriages e Elaine. Sendo que o cd são onze faixas e a Guantanamo um dos lados-b, ficam a faltar quatro das vinte músicas que ele gravou,
e eu à espera. RC,

She’s a diva lady.
She’s a hopeless case.
She needs extra makeup
For her extra face.
She’s a hopeless case.

She’s a diva lady.
She’s got special needs.
She wants chocolate candies
But no blue ones please
She’s got special needs.

She lives in a vacuum.
She has no real home.
Where did diva come from?
Where shall diva go?
She has no real home.

She’s got thirty people in her entourage.
Just in case her ego needs a quick massage.
She’s got a famous boyfriend
They go out in style.
She makes him look hetero
He helps her profile.

Yeah.

She’s a diva lady.
She looks down her nose
at the shoes I’m wearing
and my care worn clothes.
Such a pretty nose.
(such a pretty nose)

Yeah.

Oh ooh oh oh oh oh ah
She’s a diva ladyyyyyyyy.



É giro Chernobyl estar a fazer vinte anos no dia em que eu faço vinte e um meses de radioactividade. RC
(aqui)





Neil Hannon. RC
(Quase não consigo esperar por este cd. É daquelas coisas que vai havendo cada vez menos na vida, aquelas coisas que fazem com que se conte o tempo ao contrário, como quando éramos putos e era natal. Vai ser a primeira vez que faço parte da família, que atravesso fronteiras para ir ver um amigo, e que lhe agradeço baixinho, no meio de palmas, pelos dias inteiros de músicas, pelas lágrimas, pelos sorrisos, e pela voz, que faz cócegas, sempre, mesmo agora que ele me grita aos ouvidos através das colunas.)



Apercebi-me só agora que ainda não tinha dito aqui que me vai chegar às mãos, no dia dezanove de junho
repito dezanove de junho
aquele que é para mim o cd mais antecipado do ano, porque
pela primeira vez
vou comprar um cd de The Divine Comedy no dia em que ele é lançado. A minha admiração e reverência pelo trabalho de Neil Hannon começou só em junho de dois mil e quatro, já dois meses e uns dias depois de ter sido lançado o último cd, e desde aí já o vi ao vivo, já tenho tudo o que é musiqueta que ele criou, e ando há muito mais de meio ano a antecipar este novo conjunto de musiquetas originais.
O cd vai chamar-se Victory for the Comic Muse, lançado
(- Outra vez?)
a dezanove de junho, com um single a sair para as lojas uma semana antes,
e hoje, ao mesmo tempo que vou escrevendo isto, vão jorrando novidades, pois vai ser hoje que vamos ficar a conhecer a tracklist definitiva. Foi, entretanto, também hoje que fiquei a saber onde vou estar de hoje a um mês.
Neil Hannon ao vivo parte dois numa terrinha em espanha que tem mar ao lado. RC



It´s now twenty years since the Chernobyl disaster. Am I the only one who's surprised there are still no super-heroes?
Jimmy Carr



Com o sol a estilhaçar-se nas lâminas dos estores, e o ar cá dentro já seco de tanto pó e de tanto tempo, as aulas são suportadas ao ritmo de um conta-quilómetros resignado a contar os minutos, a contar as linhas de nada que nos forçam a ouvir, os desenhos quase mortos ligados à maquina de um contorno vazio, de livro de colorir, e as cores estão todas fechadas do outro lado da janela, dentro de um pequeno e privado sol de gota de água. Linhas de nada, palavras que insistem em significar coisas antigas que já não servem a ninguém, seguram as cordas de um pequeno mundo de cartão e de pano e arrumado todos os dias numa caixa, com a quietude cúmplice de uma criança de madeira, de uma pedra, que respira pelos veios o mesmo ar que nós. Pesadas cabeças de gesso com cérebros de cal agarram-se às paredes e vêem-nos de todos os lados. Olham-nos mortos, dormentes, autómatos atrás dos sorrisos pálidos de post-it que colamos às caras, enquanto toda a gente acredita que vamos bem, que acordamos todos os dias para uma existência de cadáveres felizes, cujas lesmas do crânio se alimentam sempre das mesmas falsas verdades, das mesmas orações intocáveis e empoeiradas a um Tudo que não existe. E hoje, num pedaço de vidro com mundo lá dentro, os meus olhos devolvem-me um corpo de olhos cansados, de olhos vazios à espera já não me lembro de quê, e encontro no lugar da boca uma voz que diz Desisto, livre de máscaras porque cansada de fingir, e com a certeza desmaiada de que há mais mundo lá fora, que está todo lá fora, e que se pergunta Porquê estas paredes se não há nada guardado cá dentro. RC



Nunca tivemos tempo, não é, uns para os outros, e agora é tarde, estupidamente tarde, ficamos assim a olhar-nos, ausentes, estrangeiros, cheios de mãos supérfluas sem bolsos para ancorar, à procura, na cabeça vazia, das palavras de ternura que não soubemos aprender, dos gestos de amor de que nos envergonhamos, da intimidade que nos apavora. (...) Nunca é agora entre nós, é sempre até domingo, até sexta, até terça, até ao próximo mês, até para o ano, mas evitamos cuidadosamente enfrentar-nos, temos medo uns dos outros, medo do que sentimos uns pelos outros, medo de dizer Gosto de ti.

[in ANTUNES, António Lobo, Explicação dos Pássaros, p23]



Já há muito tempo que não acabava de ver um sketch show com a vontade de rever e voltar a rever
(o que usando prefixos seria re-rever e isso já se começa a tornar estranho)
alguns sketches e estudar o texto, os silêncios, os ritmos, e olhar para os actores e ver as vozes, os tempos, as caras, e analisar os planos de câmara, e a luz, e o som, e a edição,
tudo ali parece perfeito, mas subtilmente perfeito, nada ali parece demais, os contextos mantêm-se mas nunca se esgotam,
e isso não é fácil. A série
mais uma vez
chama-se Bruiser, e entre os melhores sketches temos
o homem que quer matar a mulher
com Robert Webb a representar quase quase aos berros,
o casal em que o homem é uma coisa nova todas as semanas
Olivia Colman e Martin Freeman em ping-pong,
e a deliciosa parelha de polícias
Mitchell e Webb
a falarem para câmaras. Não peço mais. RC



E antes de mais um momento 'Mitchell e Webb são, de facto, deus',
número 84,
porque o são, mesmo,
deixem-me só falar de um filme que ainda não estreou sequer por lá
(por 'lá' leia-se as terras da elisabete),
estreia dia cinco, e que junta num mesmo pedaço de celulóide alguns dos mais geniais e talentosos comediantes ingleses,
e podia agora passar aqui algum tempo a enumerá-los todos,
Jimmy Carr, Olivia Colman, Julia Davis, Martin Freeman, Mark Heap, Stephen Mangan, Jessica Stevenson e Robert Webb
(- Outra vez esse?
e sim, é verdade que sim),
o filme chama-se Confetti, e acompanha três casais que tentam ganhar um concurso para o casamento mais original, e está renhido entre o casal do ténis, o casal dos musicais e o casal naturista
(num inspirado gesto de casting a juntar o Robert com a Olivia Colman e a aproveitar os anos de trabalho que eles levam em cima),
o diálogo foi alinhavado mas, de resto, é improvisado,
mas eles são gente de se safar. RC



Parabéns elisabete. RC



Ontem foi o último dia em que te falei por silêncios, e aos gritos te calei todo este tempo. Hoje, o que morreu, não foste tu. Foi o medo que tinha de ti. RC



Ouço agora. Manel Cruz escreveu-nos um tratado de como amar, e como deixar de amar, e como isso não se consegue,
- É possível cair do céu a uma banalidade tão terrível que até dá arrepios de vergonha? Não, ou nunca se esteve no céu, ou nunca dele se cai.
(Manel, diário violeta, mil novecentos e noventa e um),
e volto a ouvir e a cada leitura as palavras mudam, ganham novos corpos e mudam-me,
e pergunto-me como é que todas as pessoas são iguais, e o que sentem é igual, e depois andamos pela rua sem nos falarmos. RC

[ADENDA, pode ser que eu ainda aqui o transcreva,
o longo poema,
o Monstro Precisa de Amigos.]



Momento 'David Mitchell e Robert Webb são, de facto, deus' número 83.
Seis anos depois, chegou-me às mãos uma série de seis episódios, escrevinhados pelos dois rapazes e por mais uma mancheia
(sempre quis usar esta palavra
mancheia
que é basicamente o mesmo que mão cheia mas escrito por uma pessoa que não gostava de dar espaços entre as palavras)
de pessoas de talento do humor inglês
(incluindo o mestre Gervais ainda do pré-The Office)
e são, pelo que já vi, seis meias-horas de aulas de tempos e de escrita e de representação
(Robert Webb é sublime)
e por isso aconselham-se a toda a gente que, mais uma vez, pensa que sabe o que é comédia. A série chama-se Bruiser.
Está tudo por aprender ainda. RC





Já falei aqui disto, mas visto que estou numa fase de só ver coisas bonitas
(e depois falarei de Nighty Night e dos episódios fresquinhos do Green Wing),
vou voltar a falar de um genial produto de comédia que ensina, mais uma vez, como subverter alguns modelos e ser extremamente inteligente enquanto se faz isso. É a primeira série
(porque a segunda é ligeiramente diferente)
de Look Around You. São oito curtos programas de cerca de dez minutos, em que se faz ciência. Ou não.
Peçam-me. RC



Levantem-me o escalpe, furem-me o crânio, e vão encontrar, por cima do cérebro, vários tipos diferentes de pó.
E aproveitem
já que estou com a cabeça aberta
e tirem-mo de lá. RC





Devo ser uma das poucas pessoas que sobreviveram ao verão passado, quando toda a gente recolhia às sete da tarde para ver os Morangos com Açúcar,
sinceramente.
Não sei os nomes dos personagens, não sei quantas vezes é que os mesmos plots já foram usados e reusados, não sei quem são os bons e quem são os maus, não sei,
sinceramente,
nada.
Às quatro da manhã, numa estrada, morreu um dos actores. Dentro de um carro. Vinte e dois anos e depois uma estrada.
Não percebo as vidas que acabam dentro de carros.
Paz. RC



Estou eu aqui, em frente a uma tapeçaria de pixels que mudam a cada palavra nova que reescrevo

talvez seja isso
só quando se inventam que palavras é que elas se escrevem, porque depois
sempre
só as reescrevemos em ordens sempre diferentes ou sempre iguais,
da mesma maneira que não é com seis anos que aprendemos a ler, mas depois, depois de todos os livros e de todas as palavras relidas),
e, nesta cadeira, pergunto-me com os olhos quase fechados de tantos porquês,
porque é que estás em casa hoje? RC



Gaol lê-se jail. Reading é o topónimo.
Depois de ter sido condenado por 'indecência' pelo sistema de leis inglês em 1895, Oscar Wilde passou quase dois anos de trabalhos forçados no cárcere de Reading, nos arredores de Londres. Lá escreveu uma longa carta ao seu Lord Alfred Douglas
(publicada agora com o nome De Profundis)
uma carta em que pensa na relação entre o amor e a arte, o amor e a inteligência, o amor e o ócio, o ócio e a criação, a juventude e a arte. Em que pensa no seu love that dares not speak its name.
Durante dois anos, foi o prisioneiro C.3.3
e no fim desses dois anos, fisicamente frágil e sem dinheiro, exilou-se dos círculos artísticos e sociais e passou os últimos dias numa cama do Hôtel d'Alsace, em Paris, respondendo pelo nome de Sebastian Melmoth. Terá dito, da cama,
- O meu papel de parede e eu estamos a lutar um duelo até à morte. Um ou o outro vai ter de ir
e foi Wilde, em 30 de novembro de 1900.
Antes de morrer, escreveu um longo poema sobre a morte, sobre um prisioneiro que, durante os seus dias de Reading, foi enforcado. Chama-se Ballad of Reading Gaol.
Wilde, vive agora em Paris, eterno, num corpo de pedra, e todos os que o amam,
indecente,
estão sempre com ele. RC



Aquelas pessoas que nos fazem mal
(ou então que não estão sempre por perto para fazer o bem que só sabem fazer
e que por isso nos fazem mal)
são sempre chamadas a conversas com dois ou três calhaus na mão,
- Ai o mal que tal pessoa me fez,
e, de vez em quando, devíamos perder algum tempo a agradecer-lhes, mesmo,
por todas as piadas muito más que eu faço quando estou com a nuvem
por uma pessoa que eu conheci depois de um trauma
por não ter conhecido ninguém igual
(porque não há)
depois do segundo
por toda a música depressiva que eu já cantei entre soluços
por todas as noites que quase não dormi
por todo o Morrissey que eu já li,
e hoje, a medo, lembrei-me outra vez porque é que gostava de ti mais do que devia
(e porque gosto de ti ainda)
e obrigado por todo o mal. RC





Esta cara.
No último andar da National Portrait, depois de centenas de outras caras, chego perto do vidro e vejo esta cara, desenhada a sombras, e ao lado, uma frase, que trouxe comigo a lápis para casa,
- No matter. Try again. Fail again. Fail better.
e por cem anos de ter aprendido e de ter ensinado e de continuar a ensinar,
Parabéns a um mestre de uma frase só, e procuro agora um livro por onde começar. RC



Hoje é aquele jantar muito importante, que depois aquele sujeito até é preso no fim da noite e tudo, aquele sujeito que é igual ao Jacinto Lucas Pires. RC

[O humor é, por definição, a arte da inteligência. É a arte do conhecer, e quanto mais se conhece mais se pode achar piada às coisas. O humor é a ferramenta dos olhos que querem fazer mais do que ver. Dos olhos que querem procurar. O humor é uma espécie de high pitch que só alguns ouvidos conseguem ouvir, como um idioma que, para cada pessoa, tem palavras novas e novas declinações.
(o próprio uso da palavra 'declinações' aqui explica porque é que)
Rir é, antes de mais, perceber as coisas. Sem o humor, é fácil passar pelo mundo a flutar sobre ele, sem compreender bem as dobradiças que o fazem mexer-se. Não admito, nem pretendo, fazer rir uma pessoa que conhece pouco. E, pelo contrário, vivo para rir com alguém que me diga uma piada que eu não perceba. Alguns minutos depois, fui aprender, e já a percebo, e o mundo já explicou mais um dos soluços que faz ao andar.
Não estou a dizer que isto que eu fiz ali, quando peguei na imagem monodimensional que tenho do
Jacinto Lucas Pires, é genial, porque não passa de uma contra-referência muito fraquinha,
mas sei que, pelo menos eu, acabo a noite a querer saber mais sobre ele, e isso, porque é aprender, é humor.]





The Smiths, mil novecentos e oitenta e sete. RC





Tudo o que Morrissey diz
(Morrissey was always huge for all those depressive youngsters)
é,

and people who are weaker than you and I
they take what they want from life
Ooh, but don't mention love
no no - just don't mention love!
a rush and a push and the land that
we stand on is ours
your youth may be gone
but you're still a young man
so phone me, phone me, phone me
so phone me, phone me, phone me
Ooh, I think I'm in love
Ooh, I think I'm in love
Ooh, I think I'm in love
Urrgh, I think I'm in lerv

[As pessoas gostam tanto de receber a felicidade da mão dos outros como as enguias gostam de ser esfoladas vivas.], RC





GREEN WING, série dois, no estrangeiro já deram dois episódios. RC



Podia-vos contar a história desta foto,
mas como me dei um prazo para andar com isto para a frente, acho melhor pegar em palavras de Morrissey, que dizem tudo o que eu nunca soube dizer, no meio de tanto vómito que já vomitei, (RC)

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
and as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Over...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
see, the sea wants to take me
the knife wants to cut slit me
do you think you can help me?
Sad veiled bride, please be happy
handsome groom, give her room
loud, loutish lover, treat her kindly
(although she needs you
more than she loves you)
and I know it's over - still i cling
I don't know where else I can go
Over, over, over, it's over, it's over...
I know it's over
and it never really began
but in my heart it was so real
and you even spoke to me and said:
"If you're so funny
then why are you on your own tonight?
and if you're so clever
then why are you on your own tonight?
if you're so very entertaining
then why are you on your own tonight
if you're so terribly very good-looking
then why do you sleep alone tonight?
i know
because tonight is just like any other night
that's why you're on your own tonight
with your triumphs and your charms
while they are in each other's arms..."
It's so easy to laugh
it's so easy to hate
it takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over...
it's so easy to laugh
it's so easy to hate
it takes guts to be gentle and kind
Over, over...
love is Natural and Real
but not for you, my love
not tonight, my love
love is Natural and Real
but not for such as you and I, my love
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head



Estou no processo de juntar todas as palavras que Morrissey, em toda a sua vida de pessoa que pega em traumas e os descarrega de centenas de formas belíssimas, já alguma vez cantou. Se eu fosse a pôr aqui algumas delas, mesmo só aquelas que me dizem mais do que o que as palavras valem só por si, nunca mais daqui saíamos. RC





Dois dos mais estimulantes autores e actores de comédia de terras de Sua Magestade decidiram descer do seu trono e vieram tocar
(ainda que de leve para não apanharem doenças)
na mão do povo que os admira. Chamam-se David Mitchell
(o gordo)
e Robert Webb
(o outro)
e são o que de melhor saiu da colheita de Cambridge dos últimos anos
(e não me façam começar sobre a tradição universitária de escrivinhar comédia que eles têm por lá e que por cá é simplesmente não-existente)
e já nos deram várias meias-horas de genialidade,
senão vejamos,
seis meias-horas do primeiro sketch show deles, The Mitchell and Webb Situation, que está ali em dvd,
doze meias-horas de rádio do melhor que se pode fazer, That Mitchell and Webb Sound,
que também está ali para quem quiser,
depois emprestaram os seus corpos para, só o Rob, dezassete meias-horas de The Smoking Room e, os dois, dezoito de Peep Show
(com mais seis a caminho no ano que vem)
mais umas quantas horas de espectáculos em cima de palcos,
agora convenceram a BBC a escreverem mais algumas meias-horas para nós, um piloto foi feito e aprovado e agora escrevem-se e filmam-se mais,
e podem dar duas espreitadelas no sítio que eles escolheram para vir encontrar o povo,
aqui,
e se forem ver os amigos deles, nesses oito que se vêem aí,
sim sim
sou eu. RC



Hoje, às seis e meia, gêémetê, estreia a nova série escrevinhada pelo sublime Chris Addison, chamada Civilization, e por isso já tenho onde estar a essa hora. RC,

e para todos os que chegaram já no pós-transmissão, carreguem onde diz Listen Again e terão o Chris a sair-vos pelas colunas.



Desde quinta, já fiz quase trezentos quilómetros. Muita coisa tem quase acontecido nestes dias, principalmente prazos que me imponho e que depois
- Mas quê? já tamos a desrespeitar?
e é verdade que sim, e hoje passei a minha hora de almoço no afonso, enquanto olho por um dos vidrinhos, daqueles que mostram o que está para trás, e vejo que se aproxima um mar de cinzento um balde de água em forma de nuvem
e a que está dentro da minha cabeça não entendo porque há algumas maneiras de a fazer esfumar-se
e eu já as previ a todas
e não há nenhuma com que eu avance para secar de vez a chuva e
entretanto, por aqui, o céu ja desabou, o cinzento do céu transforma-se em água ao tocar nos vidros, e as pálpebras de escovas do afonso não me parece estarem a cumprir,
o cimento das casas lá fora enche-se de ondas ao refractar-me no vidro, dou uma vez à alavanca, e o mundo volta a ser limpo
e feito de linhas outra vez. RC


Hoje


01|dezembro|2006

The many faces of robert webb.
Isso do ricardinho acabou.

(Rufus Wainwright | Rules and Regulations
> from Release the Stars)



A ler Frost de Thomas Bernhard e ouvir e a ver coisas que se fôssemos aqui a pô-las todas havíamos de chegar atrasados a sítios onde temos horas para chegar.

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